O livro » Orelha
Um jovem repórter cheio de vontade de mudar o mundo chega à Redação de um grande jornal paulista conflagrada entre jovens e velhos, em transição da boemia literária para as urgências da produção industrial da notícia. O país também transita da ditadura militar para um governo civil, da escuridão dos porões para a claridade das ruas mobilizadas em torno de um grande movimento por eleições diretas para presidente, da polarização política para a diversidade de ideias.
Vai ter sua grande oportunidade no desaparecimento de uma fotógrafa em meio ao grande comício das Diretas-já no Rio de Janeiro, com um dossiê que antecipa as manobras da tumultuada sucessão presidencial em que governo e oposição jogam todas as suas cartas. Com a ajuda de um veterano beberrão e de um velho escritor de obituários, mergulha numa teia de conspiração, corrupção e contraespionagem que vai desandar no furo de sua vida: o futuro presidente da República, que enfrentou boicotes, traições, chantagens e ameaças de golpe para se viabilizar como candidato de pacificação e conduzir o pais à democracia, esconde uma doença grave, pode não tomar posse e colocar em risco a transição pacientemente construída. O repórter descobre as articulações secretas para escondê-la e, numa corrida contra o tempo, vai tentar publicar a manchete que – em meio a um clima catatônico de medo e desejo de mudança – não interessa a ninguém.
Suspense ágil e instigante, O dossiê Rubicão - Quando a morte assume o poder cruza as maquinações de um dos episódios mais traumáticos da história brasileira com as intrigas dentro de um grande jornal, num país às portas de uma convulsão. O autor mistura com rara eficiência a história real – da frustração com a campanha das Diretas até a posse malograda do presidente eleito – com uma sucessão de desencontros de amor, sexo e traição, além de traçar um amplo painel do que ocorrida no mundo – o governo belicista de Ronald Reagan planejava invadir a Nicarágua, o cardeal Joseph Ratzinger enfrentava os padres da Teologia da Libertação e uma doença tida apenas como um ‘mal gay’ começava a dar seus primeiros sinais, enquanto o país discutia a reserva de mercado na informática, os livros de dieta, a literatura feminina, o teatro besteirol, as danceterias, as rádios FM e as bandas de rock nacionais.
O leitor que acompanhar o jovem jornalista em sua aventura em busca da verdade e o candidato a presidente enredado nas artimanhas do poder vai aprender um pouco mais sobre a nossa história recente, se divertir com uma trama bem contada e refletir sobre limites éticos. O Rubicão aqui é rito de passagem, tanto de personagens reais e fictícios quanto de um país que precisava fazer a sua travessia. Como o candidato a presidente cuidadoso que se desloca devagar para chegar inteiro à outra margem, o jovem repórter também está diante do seu Rubicão e aprenderá que não deve pagar qualquer preço para atravessá-lo.
RAMIRO BATISTA é formado em Jornalismo e Literatura e vive em Belo Horizonte com mulher e filha. Trabalhou no jornal Estado de Minas e nas assessorias de Imprensa da Secretaria de Estado da Cultura, da UFMG e da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, onde, como funcionário de carreira, dirigiu a TV Assembléia e a Diretoria de Comunicação Institucional.
Para mais referencias históricas, acesse: www.odossierubicao.com.br