A travessia, mês a mês
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Dezembro/84
Política
Tancredo já faz plano de governo, Maluf recebe jantar de solidariedade e Frente Liberal começa a brigar por espaço
- Como presidente virtualmente eleito, Tancredo Neves iniciou dezembro preparando um plano emergencial para os 100 primeiros dias de governo e indicou o nome do economista José Serra para coordenar este trabalho. Serra que era Secretário de Planejamento do Estado de São Paulo tinha uma característica que agradava Tancredo: sabia dizer não.
- A Praça de Sé, em São Paulo, se transformou novamente no palco da esperança: um comício levou multidões a festejar a vitória de uma candidatura indireta a Presidência da República e a celebrar o fim do regime militar. O locutor Osmar Santos anunciou a presença de 500 mil pessoas no evento.
- Pela primeira vez desde que foi eleito deputado federal dois anos antes, Maluf ocupou a tribuna da Câmara. Por 30 minutos, o candidato criticou o governo, os dissidentes do PDS e seus adversários da oposição. O presidente João Figueiredo teria reclamado do discurso com dois políticos aliados.
- Um grupo de 200 pessoas compareceu ao jantar para homenagear o candidato Paulo Maluf na casa da apresentadora de televisão Hebe Camargo. Ao chegar, Maluf recebeu um beijo de sua mãe, Maria. Um dos amigos de Maluf declarou: “Foi um ato de solidariedade ao Paulo”.
- Envolvido com a formação de um novo partido político, o Partido da Frente Liberal, o vice-presidente Aureliano Chaves e Tancredo Neves tinham se desentendido. Com a criação da nova legenda antes da reforma partidária prometida por Tancredo, Aureliano pretendia se fortalecer politicamente pelos laços da fidelidade partidária, o que daria a ele maior poder de barganha junto a Tancredo. O vice teria reclamado também a interlocutores os elogios ao presidente Figueiredo feitos pelo Tancredo.
- Um grupo de brasileiros em Cuba voltou contando que Fidel Castro havia tancredado. Ele teria dito que via em Tancredo Neves a solução para uma transição pacífica de poder no Brasil e teria criticado a posição do PT de não comparecer ao Colégio Eleitoral: “Se o Lula estivesse aqui, eu lhe perguntaria o que está fazendo por seu país neste momento histórico que está atravessando.” Lula não acreditou: “O companheiro Fidel não é de cometer ingerências em assuntos internos de outros partidos”.
- 1.200 convidados se reuniram em homenagem ao defensor das Diretas, Ulysses Guimarães, no hotel Copacabana Palace.
- O presidente João Figueiredo insistia em cavalgar apesar dos problemas de coluna. Em cima do cavalo, o presidente chegou a saltar três obstáculos de 60 centímetros de altura. Esse passeio foi o responsável pela volta das dores de coluna.
Economia
O ano do computador
A indústria comemorava a adoção da reserva de mercado e a explosão de vendas. O país já tinha 300 mil unidades e a cada cinco minutos alguém no país comprava um aparelho, alimentando uma indústria com mais de 200 fabricantes de computadores e periféricos, única a crescer 30% num cenário de crise que destruía o resto da economia.
A bolsa batia recordes
A Bolsa de Valores fechou o ano comemorando movimentação de volumes recordes – o melhor resultado em 13 anos. A crescente confiança dos aplicadores no mercado de ações, aliada ao consenso de que os juros no mercado financeiro não deveriam permanecer em níveis elevados com o novo governo, foram responsáveis por uma valorização das ações nos últimos meses de 84. As ações tinham valorizado em média 442%, algumas até 3.500%, contra os 244% dos Certificados de Depósito Bancário e dos 260% da Poupança, num cenário de inflação a 223,7%. Em 1983, 23 empresas abriram o capital na Bolsa, em 84 foram 40 e, para 85, a expectativa era que o número chegasse a 200.
Mas a concentração aumentava
Um levantamento da Target, empresa de serviços estatísticos, sobre o perfil de renda e consumo do brasileiro, detectou que a concentração de renda se ampliava. A classe A, os 8% da população com renda acima de 35 salários mínimos, consumia 62% de tudo o que se vendia no país. Na outra ponta, a classe E, equivalente a 9% da população, consumia apenas 0,046% do total.
Plano econômico para o governo Tancredo
O secretário de Planejamento do Estado de São Paulo, José Serra, foi escolhido para chefiar a equipe econômica responsável por preparar um plano de emergência para os 100 dias do novo governo. Além da busca pelo fim da inflação, a equipe prometeu evitar sacrifícios à classe trabalhadora. Estavam todos convencidos que não haveria mágicas nem boas margens de manobra. O governo Figueiredo já acabara de assinar a sétima Carta de Intenção com o FMI e o novo governo teria que transferir 35% de toda a arrecadação de impostos de 1985 para o Banco Central, a fim de reduzir o déficit público.
Artes & Espetáculos
Cinema
De repente, num domingo!
Vivement Dimanche! foi uma homenagem do diretor francês François Truffault ao mestre do suspense, Alfred Hitchock. A trama é uma história de suspense tipicamente hitchcockiana. Uma das sensações do longa foi a protagonista, Fanny Ardant, a bela esposa de Truffaut. Filmado em preto e branco, De repente, num domingo foi o último filme do diretor.
Literatura
E por falar em amor
A jornalista e escritora Marina Colassanti faz um ensaio sobre o amor ao discutir com sensibilidade todos os temas relativos ao antes, durante e depois do amor. Feminista, Colassanti fala sobre o comportamento amoroso, discorrendo sobre fantasias eróticas, infidelidade, ciúme, escolha do parceiro, desejo e separação. Tudo sobre a ótica feminina e masculina de encarar cada questão. A autora tem mais de trinta livros publicados entre contos, poesias, crônicas e livros infantis.
Recado de Primavera
Uma das principais características das crônicas de Rubem Braga é a capacidade de o autor transformar as miudezas do cotidiano em puro lirismo. É o que fez nesse livro. Dentre os temas tratados estão a Rainha Nerfertite, a Revolução de 1932 em que ele foi correspondente de guerra antes de ir com a FEB para a Itália, o diário secreto de um cara subversivo, a mulher casada que sentia uma estranha vontade de navegar e o holandês que cortava pepinos no rio Guadalquivir.
Corpo
Carlos Drummond de Andrade apresenta 41 poemas essencialmente sobre o corpo e suas contradições. Fala dos movimentos do corpo, das artimanhas da memória e das armadilhas do amor. “Mais além da pele, dos músculos, / dos nervos, do sangue, dos ossos, / recusa o íntimo contato, / o casamento floral, o abraço / divinizante da matéria / inebriada para sempre / pela sublime conjunção.”
Senhora Dona do Baile
É a terceira parte das memórias de Zélia Gattai, esposa do escritor Jorge Amado. Neste livro, o período de exílio do casal, quando Jorge Amado teve seus direitos políticos cassados por ser membro do Partido Comunista Brasileiro. Em 1948, a autora deixou o Brasil com o filho João Jorge para encontrar-se com o marido na Europa, onde viveu durante cinco anos, participando intensamente da vida cultural europeia, ao lado de personalidades como Pablo Neruda, Nicólas Guillén, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Aragón, Paul Éluard, Picasso, Ilya Eremburg, entre outros. O cotidiano do casal é repleto de aventuras pouco comparáveis às experiências dos turistas convencionais em terra estrangeira: eles conhecem personalidades da política e do cenário cultural internacional, vivenciam o entusiasmo da classe intelectual que ainda acredita piamente no Socialismo e encaram com coragem uma Europa em reconstrução após os estragos provocados pelo Nazismo.
Agora é que são elas
Paulo Leminski escreveu uma história que desvenda o processo de todas as histórias, uma novela com começo, meio e fim. Um dos personagens do livro é o folclorista russo Vladimir Propp, autor de Morfologia do Conto Fantástico, livro que postulou a existência de normas que orientariam a criação de uma ficção. Leminski parte das discussões de Propp e escreve sobre as dificuldades de escrever um romance.
Hitler manda lembranças
O jornalista e escritor mineiro Roberto Drummond utiliza bastante do humor e pinta o Brasil como um país caótico, à beira do apocalipse, em que nenhum personagem pode ser reconhecido por sua inteireza.
Tal País, Qual Romance?
É um ensaio revelação da pesquisadora Flora Süssekind, que impressionou a crítica com sua impressionante erudição, aos 28 anos de idade. É uma adaptação da sua tese de mestrado defendida em 1982, considerado um refinado estudo sobre a permanência do naturalismo na literatura brasileira, a partir da análise de todo o painel literário nacional até os romances-reportagem da década de 70.
Viva o Povo Brasileiro
De João Ubaldo Ribeiro, narra quatro séculos da história do país. Em suas quase setecentas páginas, trata desde a chegada dos holandeses à Bahia, no século XVII, até os anos 70 do século XX, representados ficcionalmente. A cultura e os costumes do Nordeste servem para o autor criar um romance épico, em que a população do Recôncavo Baiano vira metáfora do povo brasileiro. A construção da identidade é tema central no livro e a obra é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira.
Suicídio Modo de Usar
Dos franceses Claude Guillon e Yves Le Bonniec, causara comoção na França ao defender a liberdade individual a partir do direito de suicidar-se. Chegava a receitar medicamentos e métodos para se atingir o objetivo, sem erros. Na defesa dos autores, eles estão apenas denunciando a sociedade que dificulta o suicídio e lutando para que a vontade individual seja respeitada. Naquele ano, foi considerado o livro mais polêmico da França.
Síndrome de Peter Pan
Do psiquiatra americano Dan Kiley, lançado como contraponto a Complexo de Cinderela, de Colette Dowling, trata da infantilidade do homem moderno que se recusa a amadurecer. Segundo Kiley, alguns indivíduos apresentam rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência ou negação ao envelhecimento.
Música
Barão Vermelho
“Maior Abandonado” foi o terceiro álbum do grupo de rock. De autoria de Cazuza e Frejat, a música que dava nome ao LP impulsionou as vendas e foi sucesso absoluto. A banda ganhou Disco de Ouro pela venda de 100 mil cópias do álbum em seis meses. Depois do “Maior Abandonado”, Cazuza deixou a banda e seguiu carreira solo.
“Eu tô pedindo
A tua mão
Me leve para qualquer lado
Só um pouquinho
De proteção
Ao maior abandonado”
Sempre Livre
Primeiro conjunto formado exclusivamente por mulheres, vendeu 30 mil cópias já no primeiro álbum, “Avião de Combate”. As cinco integrantes da banda buscavam músicas leves, num rock bem humorado, sem estrelismos e maiores pretensões. A música “Eu sou Free” fez sucesso naqueles dias.
“Não sou do tipo que faz comício
Tenho horror a compromisso.
Eu sou free (eu sou free),
Sempre free (sempre free),
Eu sou free demais.
Sou free lance”
A Maldita
Nos anos 80, havia pouca rádios FMs no país e a maioria tocava MPB e músicas internacionais. Em março de 1982, entrou no ar Fluminense FM, a maldita, voltada principalmente para o rock nacional. Além da proposta musical diferente, a emissora produzia uma programação também interativa. Outro diferencial era a procura por bandas novas. A rádio investiu na aquisição de fitas de rock de bandas caseiras e começou a projetar uma série de nomes novos no mercado: Blitz, Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, Lobão e os Ronaldos, Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor, Rádio Táxi, Camisa de Vênus, 14-Bis. Foi assim que a rádio Fluminense acertou a mão, com uma programação 100% rock, se tornou a preferida da juventude e lançou bandas que viraram sucesso nacional. O rock, suas bandas e seus LPs começaram a ser consumidos com voracidade pela juventude.
Comportamento
Dieta e emagrecimento
O livro A Dieta de Belerly Hills, lançado no Brasil no início do ano já estava na sétima edição com 80 mil exemplares vendidos. O regime estava ficando mais popular e livros com essa temática estavam movimentando as livrarias. A editora Record, que publicou A Dieta de Belerly Hills, investiu também em outros títulos: A Dieta Médica de Scardale e Pare de Engordar. Além de livros para ajudar no emagrecimento se tornarem best-sellers, outro fenômeno era a expansão das clínicas de emagrecimento. Em dois anos, o número desses estabelecimentos havia dobrado em São Paulo.
Imprensa & TV
O sucesso do Planeta Diário
Um jornalzinho de estudantes da zona sul do Rio ganhou projeção nacional. “O Planeta Diário” tratava todos os acontecimentos com humor e deboche em uma época em que o País começava a se livrar do longo período de ditadura militar. O jornal trazia um humor totalmente descompromissado com engajamento político e ironizava a própria imprensa. A primeira edição saiu em dezembro de 1984, com 10 mil exemplares. Meses depois, eram vendidos 80 mil, chegando a 100 mil cópias. “O Planeta Diário” ficou famoso pelas manchetes provocadoras e falsas: "Maluf se entrega à polícia" e “Papa bota ovo na Missa do Galo”. A turma do tablóide deu origem ao programa de TV da Rede Globo “Casseta e Planeta”, com o mesmo tipo de humor e sarcasmo.
As doenças de Figueiredo
Entre dezembro e janeiro, jornais e revistas fizeram uma série de matérias sobre as doenças do presidente João Figueiredo e os riscos de presidentes da República esconderem suas doenças. Paciente problemático, já passara por cirurgias para corrigir uma hérnia de hiato, esticar as pálpebras, instalar safenas e fazer uma drenagem nas faces por conta de uma sinusite crônica. Seus problemas de coluna se agravaram nas festas do final de 84, quando fez passeios a cavalo, e terminaram em intervenção cirúrgica em janeiro.
Marcos
Barra da Tijuca
As obras para a instalação do mega complexo de espetáculos para o Rock in Rio, a ser realizado em janeiro, chamou a atenção para a explosão demográfica da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Na década de 70, era praticamente inabitada. No início dos anos 80, 50 mil moradores haviam se mudado para lá. E, nos primeiros anos da década de 80, esse número quadruplicou. A explosão demográfica seguida de especulação imobiliária foi considerada sem precedentes na capital carioca. A Barra da Tijuca era um bairro independente, com vastíssima estrutura de serviços e havia se transformado no sonho da classe média carioca.
Anistia para Vandré
Em 1969, o superintendente da Sunab, general Glauco Carvalho, assinou, com base no AI-5, uma portaria demitindo o inspetor Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, o cantor conhecido por Geraldo Vandré - que ficou famoso naquele ano durante o Festival Internacional da Canção com a música Caminhando. A música acabou se tornando o hino da campanha pelas Diretas e Geraldo ficou quatro anos no exílio. De volta ao Brasil, o cantor que também é advogado recorreu da medida na Sunab e pleiteou sua vaga novamente. Conseguiu. 15 anos depois, Gerando Vandré foi autorizado a reassumir o cargo na Superintendência Nacional do Abastecimento.
Escândalos
Trem da Alegria no Senado
O presidente do Senado, Moacyr Dalla, aproveitando os últimos dias de sua gestão, nomeou de uma só vez 1.554 funcionários para a gráfica do Senado. Mais que dobrou o quadro funcional da gráfica com filhos e esposas de políticos, amigos, jornalistas, médicos, economistas, psicólogos e arquitetos, dentre outros. Só para pagar pessoal, a gráfica iria gastar em 1.985 mais de 25 bilhões de cruzeiros. O senador Humberto Lucena, candidato a sucessor de Dalla na presidência da Casa, também não via problemas com o volume de nomeações sem concurso. Disse que concurso público, por lei, era para empresas da administração direta, isentando o Senado desta prerrogativa.
Tragédias
Bhopal
Funcionários da multinacional Union Carbide, em Bhopal, na Índia, estavam acostumados aos exercícios de prevenção de acidentes e a lidar com o temor de trabalhar com o de isocianato de metila, um composto altamente tóxico utilizado como matéria-prima na fabricação de defensivos agrícolas e capaz de, na quantidade estocada na empresa, matar tudo o que estivesse vivo na cidade. Naquele dezembro, uma válvula de segurança de um dos tanques se rompera, todo o esquema de segurança não funcionou e os empregados, assustados, correram e fugiram amedrontados. Aconteceu então o que de pior poderia acontecer com o isocianato de metila: passou do estado líquido para o gasoso, transformando num assassino devastador. Mais de 25 mil toneladas da substância escaparam para a atmosfera e, ao aspirarem o isocianato em forma de gás, os habitantes de Bhopal foram submetidos a uma morte lenta e agonizante. Em menos de 48 horas, mais de 2 mil pessoas foram mortas por asfixia, a maioria enquanto dormia. Dos 50 mil feridos, a metade ficou cega, com as córneas ulceradas pelo gás.
Montes Apeninos
Na antevéspera do Natal, uma bomba explodira a bordo do trem que fazia o trecho Nápoles – Milão, nos Montes Apeninos, deixando rastros de destruição e corpos mutilados, a maioria turistas a caminho das estações de esqui, onde passariam as festas de fim de ano. Com mais de 900 pessoas espalhadas pelos 13 vagões, o Expresso 904 havia percorrido 13 dos 19 quilômetros do túnel quando a bomba explodiu: 5 quilos de T4, explosivo duas vezes mais potente que o dinamite. A bomba estava no nono vagão e a contagem dos atingidos chegou a dezenas de mortos e centenas de feridos. O nono vagão praticamente se desintegrou.
Quem morreu
Sam Peckinpah (1925-1984)
Cineasta americano que abriu seu caminho no mundo do cinema pela TV, onde dirigiu uma série de westerns. Ficou famoso por seus filmes com grandes doses de violência. Foi ele quem deu forma aos tiroteios e mortes em câmara lenta, muito comum nos filmes atuais. Em 1961, lançou seu primeiro longa: O homem que eu devia odiar. Seus trabalhos mais importantes foram: Meu ódio será sua herança (Oscar de Melhor Roteiro Original) e Pat Garret & Billy The Kid.
Tecnologia
A explosão das revistas especializadas
O fenômeno de popularização dos computadores alimentou o mercado de publicações especializadas em destrinchar programas, descrever novos equipamentos e prever tendências. Somente de 1984, chegaram às livrarias 150 novos títulos de livros e, ao longo dos últimos dois anos, duas dezenas de revistas especializadas chegaram às bancas.
Saúde e Medicina
140 casos de Aids em São Paulo
A Aids – Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida – estava avançando num ritmo mais rápido que o esperado. Médicos paulistas que trabalhavam com o controle da doença estimaram que o ano fecharia com 120 casos no estado, o número chegou a 140. Para 1985, a expectativa era de 300 casos. A doença levava suas vítimas à morte num prazo de um ano e 50 pessoas já tinham morrido em São Paulo.