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Os últimos dias de Tancredo

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Romance para ensinar história com recursos literários e discutir limites do poder e do jornalismo


Alguém escreveu que, embora pareça que o livro está em crise, nada vai superar a íntima relação autor-leitor na construção de uma história e de que há muito por construir no uso de recursos literários para se contar e ensinar história. O dossiê Rubicão – Quando a morte assume o poder parte de uma trama policial para desvendar uma das personalidades mais míticas da história recente e contar a história de um dos maiores traumas do país.


A trama, construída em cima de fatos reais e calcada em vasta pesquisa, é gancho para mostrar a teia de articulações e maquinações e construir um suspense até a traumática internação do presidente Tancredo Neves, às vésperas da posse e ao cabo de uma cruzada que galvanizou todo o país. Ao mesmo tempo é também desculpa para discussões sobre poder, jornalismo, literatura, cinema, música, moda, comportamento e todo o panorama de grandes acontecimentos que vai do primeiro grande comício das Diretas, na Sé em São Paulo, em janeiro de 1984, até a fatídica quinta-feira véspera da posse, a 14 de marco de 1985. A história numa grande redação de jornal permite inserir fatos e casos, grandes ou pequenos, em todas as áreas do conhecimento, que traduzam a época e despertem interesse por curiosidade ou estranhamento.


O principal esforço foi no sentido de que as citações de fatos reais fluíssem dentro da história, de forma que, mesmo quando o pano de fundo se sobressai, a preocupação é a de que os fatos não sirvam de entrave, mas, antes, de alavanca para empurrar a história. Os fatos – em flashes curtos - são incluídos somente na medida em que contribuam para definir personalidades, rechear discussões sempre no âmbito da história ou servir de mote para encontros ou desencontros, avanços e recuos dos personagens.


O objetivo final é que seja, sim, um livro de história e sugestão de pesquisa, mas gostoso de ler, com casos curiosos e inusitados, que sugiram estranhamento, sensação de gravidade, análise de tendência ou simples sensação de fatalidade. E que leve a reflexões sobre limites éticos dos personagens reais e fictícios que, como o candidato a presidente, estão diante de seu Rubicão – alguns querem atravessá-lo de qualquer maneira e outros que não devem pagar qualquer preço para isso. É, antes, uma ficção com base em fatos reais, que quer ensinar e discutir, mas principalmente prender o leitor pela trama recheada de mistério, morte, amor, sexo e traição.